O Julgamento de Yuvalin e o Olho de Kael
Presos por traição — nunca por homicídio —, os aventureiros descobrem na cela que Yuvalin inteira ignora a morte de Ezequias, e é a conversa deles com os carcereiros que acende o boato que toma a cidade. Com a ajuda do jurista Camillo Estêvão, duas das três acusações caem por falta de provas. E então a porta se abre: Ezequias entra vivo, assume o próprio julgamento e impõe suas condições. O grupo aceita, mas não esquece o que viu na mina. Kael arranca o próprio olho num templo e não recebe resposta; Nyxx busca sua adaga nova; Gutsen recebe a carta de A.V.; Yhwach vasculha os arquivos da guilda. Convocados por Lucan, voltam à mina — e na porta do Andar 2 encontram um bando rival enviado pelo mesmo A.V.
O Grupo nesta sessão
Passou mal ao entrar no tribunal consagrado a Khalmyr, sentado como réu na casa do próprio deus. Depois da absolvição, foi sozinho ao templo, orou e arrancou um dos próprios olhos como oferta. Não houve resposta — nem voz, nem sinal, nem silêncio que sugerisse aceitação.
NyxxMago · Nv. 6↑ Nv. 6 · ↑ Nv. 6Buscou no ferreiro a adaga encomendada, com compartimento embutido para alquímicos. Ao ouvir a despedida da carta invocando a Deusa Tenebra, ligou o remetente ao elfo da sua visão — e defendeu fazer a missão de A.V. sozinho, sem o grupo.
GutsenBárbaro · Nv. 6↑ Nv. 6 · ↑ Nv. 6Foi quem recebeu a carta lacrada das mãos da Elfa da Guilda e a levou ao grupo. Na porta do Andar 2, foi ele quem juntou as iniciais "A.V." ao nome que os aventureiros rivais soltaram: Arkan Velor é o mesmo homem que os contratou.
YhwachCavaleiro · Nv. 6↑ Nv. 6Conseguiu acesso aos arquivos da Guilda dos Mineradores, mas só ao que está documentado como missão oficial — nada do que a guilda move por fora aparece no papel. O que ele foi procurar ali, não disse ao grupo.
Crônica
A Cela e o Boato que Escapou
Levados à prisão de Yuvalin, sem armas e sem magia, os aventureiros puxam conversa com os carcereiros do corredor. Aos poucos percebem algo estranho no que ouvem: os guardas falam de Ezequias no presente, com admiração, como quem fala de um homem que ainda vai aparecer no expediente de amanhã. Ninguém ali sabe que ele morreu. O grupo então conta o que aconteceu na mina. Os carcereiros reagem com incredulidade — e, incrédulos, repassam a história adiante.
A verdade sai da cela pela boca dos próprios carcereiros e vira boato na cidade. O grupo ainda não faz ideia do estrago que isso vai causar.
Camillo Estêvão Se Oferece
Passos no corredor. Um homem de roupas finas mas surradas nas bordas para em frente à cela e se apresenta como jurista, dizendo conhecer cada tábua solta do chão daquele tribunal. Não menciona preço — sabe que estão sem nada — e deixa a cobrança "para depois". O grupo aceita a ajuda de Camillo, decisão que se prova essencial: é ele quem conduz o desmonte das acusações no julgamento.
O Tribunal de Khalmyr
O salão é todo de madeira escura, quase vazio: poucas testemunhas, nenhum público. Acima da mesa principal, uma espada cruzada com uma balança e, entalhado abaixo, o lembrete de que nenhuma verdade escapa ao olhar de Khalmyr. Kael sente na pele antes de qualquer palavra ser dita — uma náusea sobe assim que ele cruza a porta, o corpo reagindo ao lugar consagrado ao próprio deus que ele diz servir, agora com ele sentado do lado errado da sala.
Kael entra passando mal. O tribunal abençoado por Khalmyr não o acolhe: ele está ali como réu.
As Três Acusações
As acusações são lidas: traicao contra Ezequias Heldret, uso de magia dentro dos limites de Yuvalin e falsificação de documento. Em nenhum momento se fala em homicídio. Quando os aventureiros tentam puxar o assunto da morte de Ezequias, são cortados e lembrados de que aquilo não consta na acusação — não é o que está sendo julgado ali.
Ninguém os acusa de matar Ezequias. O grupo tenta falar do corpo e é silenciado — a corte não quer ouvir sobre um morto que, oficialmente, não existe.
Duas Acusações Caem
Com Camillo conduzindo, a acusação de uso de magia não se sustenta: ainda que testemunhas tenham visto Ezequias sair acompanhado de Kael naquele dia, não há prova de que magia tenha sido lançada — a acusação é removida. A de falsificação cai logo em seguida, e por um motivo que corta os dois lados: o testamento não tem validade legal nenhuma. Sem testemunhas idôneas, sem registro prévio, sem notabilização, aquele papel não vale como documento — e, não valendo como documento, também não vale como prova. É descartado.
O testamento que passaria a fortuna de Ezequias ao grupo deixa de existir formalmente. Perderam a herança e a acusação no mesmo golpe.
A Caneta que Ainda Fala
Resta a prova mais estranha do baú: a caneta de Ezequias, queimada e retorcida. Questionados sobre ela, os aventureiros veem o mecanismo ser acionado — e a engenhoca reproduz a voz do inventor. Ele cita o nome de cada um deles, um a um, e termina prometendo que a justiça será feita. É a mesma promessa que fizeram na mina, gravada e devolvida a eles no meio do salão silencioso.
As últimas palavras que ouviram antes da decapitação voltam agora como prova contra eles.
A Versão do Grupo
Em conversa com Camillo, os aventureiros montam sua defesa: foram enganados por Jaren. Precisavam levar Ezequias às minas por um motivo legítimo, e foi Jaren quem os manipulou até o testamento forjado e até a viagem escondida. A versão transfere o peso da culpa para um homem que não está mais vivo para contradizê-la.
O Tumulto do Lado de Fora
No meio da sessão, um burburinho cresce lá fora. Um oficial entra apressado avisando que a informação vazou e as ruas estão lotando de gente atrás de resposta. Aos poucos se descobre a origem: o boato começou na própria prisão, quando os aventureiros contaram aos carcereiros o que tinham visto na mina.
Yuvalin está em pé de guerra por causa de uma história que o próprio grupo espalhou sem querer.
A Porta se Abre
Quando o grupo se prepara para as considerações finais, passos lentos ecoam da porta lateral. Ela se abre — e Ezequias entra. Cabelos acobreados desgrenhados, jaleco surrado cheio de bolsos, óculos de solda de lentes grossas refletindo a luz das velas. Vivo. Ele atravessa o salão e assume o próprio julgamento. O grupo o encara sem conseguir processar: viram um homem ser decapitado, viram o sangue, carregaram o corpo e a cabeça de volta para a cidade com as próprias mãos.
Nada do que o grupo vê desmente o que está na frente deles. E nada do que está na frente deles desmente o que eles viram na mina.
As Condições de Ezequias
Ezequias se diz magoado — confiou neles mais do que em qualquer outro na guilda — mas, "por bondade", dispõe-se a mantê-los. As condições são duras: seguem na guilda em tarefas importantes, mas sem contato direto com ele, reportando a Lucan Veyr a partir de agora; estão proibidos de usar magia dentro das cidades de Yuvalin; e devem manter sigilo absoluto sobre tudo. O grupo aceita todas. A multa da liberdade é quitada com os jumentos e pôneis registrados em nome de Valérius.
Absolvidos, rebaixados e endividados: saem livres, sem montaria, sem magia na cidade e com um novo chefe.
O Olho de Kael
Liberado, Kael não procura descanso nem companhia: vai direto ao templo. Ajoelha-se, ora a Khalmyr e então arranca um dos próprios olhos, oferecendo-o ao deus ali mesmo. Espera. O templo permanece em silêncio. Nenhuma voz, nenhuma luz dourada, nenhum sinal — nada que se pareça com a resposta que ele veio buscar.
Khalmyr não responde. Kael sai do templo com um olho a menos e a mesma dúvida com que entrou.
Cada Um por Seu Caminho
Enquanto isso, o grupo se divide pela cidade. Nyxx vai até o ferreiro buscar a arma que havia encomendado: uma adaga com compartimento embutido para alquímicos, pensada para carregar ácido. Yhwach procura os arquivos da guilda e consegue acesso — mas só ao que está formalmente documentado como missão oficial; tudo que a guilda moveu por fora simplesmente não consta. Gutsen passa na sede e é interceptado pela Elfa da Guilda, que lhe entrega uma carta lacrada guardada desde antes de toda a confusão.
A Carta de A.V.
Gutsen reúne o grupo e mostra a carta. Um desconhecido elogia os feitos deles, oferece pagamento generoso em dinheiro ou itens mágicos, promete uma antecipação fora do costume de Yuvalin, exige sigilo absoluto e se despede desejando que a Deusa Tenebra os guie na noite mais escura. Assina apenas "A.V.". O grupo decide responder — Nyxx chega a defender fazer a missão sozinho: ele suspeita que A.V. seja o antigo dono do seu grimório.
A menção a Tenebra não passa despercebida por Nyxx — é exatamente a assinatura que ele viu na visão do elfo.
A Convocação de Lucan
Pouco depois, o grupo é convocado à sede de comando da guarda. Lucan Veyr os recebe entre mapas e relatórios, um deles marcado em vermelho sobre a área da mina. Os relatos aumentaram: criaturas nas bordas do território, tremores vindos de baixo. A Tormenta está ficando mais ativa, e a ordem — vinda de Ezequias — é urgente: voltar à mina e achar o aço-rubi antes que a barreira ceda. As armas são devolvidas sobre a mesa, uma a uma, e o grupo parte.
Concorrência na Porta do Andar 2
O elevador range e para, e dessa vez o corredor não está vazio: quatro pessoas de roupas de viagem gastas já ocupam a entrada, dois espadachins à frente e dois magos atrás comparando anotações com as marcas na parede. Vieram atrás do mesmo aço-rubi, contratados por um homem chamado Arkan Velor. Gutsen liga os pontos na hora: as iniciais da carta e o nome que acabaram de ouvir são a mesma pessoa. Com dinheiro demais em jogo dos dois lados, não há acordo possível — o combate estoura no corredor e o grupo vence.
O grupo entende que Arkan Velor já tinha gente em campo antes mesmo de convidá-los. Mais cedo ou mais tarde vão ter que escolher um lado.
Alguém Esteve Aqui
Andar adentro, a investigação continua — e algo está errado. Os corpos sumiram. Todos os mortos que o grupo deixou para trás foram removidos por alguém que esteve ali no intervalo, sem deixar explicação de quem foi nem do porquê.
Não foram os primeiros a voltar à mina depois da explosão.
O Tesouro de Jaren e a Segunda Chave
Vasculhando a sala com calma, o grupo enfim chega ao depósito que Jaren guardava: as economias que ele separara para reconstruir a vida depois da vingança, T$16.000 em mãos. Entre o que restou encontram também tabuletas de pedra cobertas de runas e desenhos de armaduras — reconhecem a escrita como anã, mas ninguém no grupo consegue ler uma linha sequer. E, por fim, o que vieram buscar: a segunda parte da chave mágica. Com ela em mãos, decidem descer para o próximo andar da mina.
Segunda peça da chave garantida. O grupo desce.
NPCs & Bosses
Fios Soltos
Veja os detalhes em Fios Soltos da Campanha.
“Kael estende o próprio olho no altar de Khalmyr e espera. O templo continua em silêncio.”
O morto voltou pela porta lateral, as acusações caíram uma a uma — e nada disso explica o sangue que eles viram na mina.